Eu morava na Rua Araújo (estive no prédio há uns dois anos e me emocionei muito), próximo à Caetano de Campos. Tinha mudado poucos meses antes da Rua Caio Prado, quase esquina com a Av. Consolação; e conforme minha mãe me contava, foi muito difícil conseguir matricular-me lá. Era um colégio público extremamente conceituado (como hoje né?), e entrar na escola não era fácil. Graças a insistência de minha mãe, consegui enfim ser um Caetanista.
Os primeiros dias foram muitos intensos, pois aquele lugar era mágico, embora austero. Todos uniformizados, fila indiana com medida tomada pelo braço direito esticado no ombro do colega da frente, e depois, todos perfilados contando o hino nacional, pelo menos uma vez por semana. As professoras esmeravam-se no seu ofício, e o faziam por amor verdadeiro e vocação. Ficava atento, prestando atenção a tudo, tenso nos primeiros dias, e depois familiarizando-me com alguns(mas) colegas, tudo ficou mais tranquilo.
Lembro-me dos "impagáveis" recreios, quando os meninos ficavam, normalmente, de um lado, e as meninas de outro; e os comentários "corriam" soltos. Meu grande amigo à época era o Denis, porém tinhamos uma diferença, pois nós dois simpatizavamos com uma colega, e tivemos algumas "rusgas" por isso. Mesmo assim, por morar perto, alguns amigos iam ao meu apto. para estudarmos, e o Denis e a tal colega eram presenças quase constantes. Hoje posso dizer, por mais que gostasse do Denis, muitas vezes gostaria que ele tivesse outro compromisso e não viesse junto.(rs,rs,rs...) Mas com certeza, eram momentos sublimes, pois a amizade entre nós três era verdadeira, e às vezes os ciúmes faziam parte do jogo de cena.
Lembro-me também do Pompilio, ótima pessoa.
Puxa, são tantos colegas, situações que estão em algum "quartinho" de meu cérebro, que tenho convicção que encontrarei as "chaves" para abrir a "porta", e aí, muitas lembranças virão à tona. Mas uma coisa eu posso afirmar: foram anos maravilhosos!
- Ugo Santerini
Dos ex-alunos que estudaram na primeira série do Caetano de Campos em 1971, e se formaram do ginásio em 1978 no período da manhã, em homenagem a todos que estudaram ou trabalharam na maior Instituição Pública de Ensino de São Paulo.
segunda-feira, 7 de março de 2011
sábado, 5 de março de 2011
Boletins, carteirinhas, uniformes e epidemias...
Em 1971, a escola chamava-se Instituto de Educação “Caetano de Campos “e ainda não tínhamos as cadernetas escolares com as páginas de presença , notas e recados .Era somente um boletim com as notas, comportamento e faltas. Nosso uniforme tinha sido recém modificado, pois até 1968 as saias das meninas eram azuis-escuras pregueadas e agora eram feitas de um tecido xadrês preto e branco, com uma prega na frente, os bolsos das camisas ficavam em baixo e tinham um mapa de São Paulo.No ginásio as saias foram substituidas pela cor cinza-chumbo com uma prega na frente e era obrigatório o uso de um cinto vermelho. As calças dos meninos eram da mesma cor.
Tínhamos naquele ano aulas aos sábados, e as professoras tinham autonomia de dispensar os alunos em alguns daqueles dias para dar aulas de reforço para os mais fracos ( principalmente em matemática).
Em agosto de 1971, foi publicado durante o regime militar de Emilio Garrastasu Médici, a inclusão da Educação Moral e Cívica, Educação Física, e Educação Artística e Programas de Saúde como matérias obrigatórias, História e Geografia, seriam então denominadas “Estudos Sociais “e Português: “Língua Pátria “. Naquele ano a nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), eliminava a obrigatoriedade do exame de admissão para o ginásio e o que se conhecia por Clássico e Científico, se transformaria no curso Colegial.
As aulas de religião ( facultativas) foram assessoradas pela CNBB ( Confederacão dos Bispos do Brasil), para as escolas da Rede Oficial ( públicas), visando a formação da identidade e construção responsável do projeto de vida” dos alunos. O que aconteceu foi que no meio do ano pais voluntários ou normalistas que desejassem fazer estágio gratuito ministravam estas aulas, que a escola resolveu adotar. Os alunos que não fossem da religião católica, poderiam se retirar da classe e irem para a biblioteca, estas aulas continuaram até a nossa quarta série, não mais no ginásio.E permaneceu assim por anos. Um determinado livro era adotado para estas aulas.
No final de 71 houve uma epidemia de caxumba e muitos alunos não precisaram fazer exame final para passar de ano ( foi o meu caso, mesmo com dor eu dizia: bendita caxumba!).No meu boletim aparece uma anotação a esse respeito.
Na segunda série, em 1972, a professora corrige à mão os boletins com os novos nomes dados às matérias.As aulas aos sábados foram abolidas. As meninas podiam usar calças compridas com o mesmo tecido da saia. E os bolsos eram costurados na parte superior da camisa , agora com o emblema IECC, comprado no Esporte Tupã, ali na Rua do Arouche, lá eram também adquiridos os uniformes de educação física.
Em 1973, a escola já aparece com uma letra a mais no nome, agora Instituto de Educação Estadual “Caetano de Campos”, ganhamos as carteirinhas que tínhamos de entregar diariamente para as serventes que se sentavam em mesas localizadas nas pontas dos corredores e no final do dia passavam em nossas salas para entregá-las já carimbadas com a palavra “presente”. Ela devolvia para algum aluno que teoricamente era encarregado de entregá-las aos colegas, mas normalmente eram atiradas como aviõezinhos.
Em 1974 houve uma grande epidemia de meningite. O governo não dava conta de vacinar a população e a mais atingida era a da periferia. Demorou-se muito para conseguirmos ser vacinados em nossa escola, na região central da cidade.
A vacinação ocorreu em duas etapas, a primeira dose nos foi dada na escola. Formavam-se filas nos corredores e os agentes de saúde munidos de suas pistolas ficavam dentro das classes, como se fosse um dia de votação.
Eu me lembro de uma colega chamada Ana Maria reclamando muito na fila e se recusando a tomar a tal vacina, indignada, alegando que estávamos sendo feitos de cobaias, a eficácia era motivo de debates na televisão. De nada adiantou, tomou uma picada no braço, debaixo de protestos e saiu com a maior cara feia de dentro da sala.
A segunda dose foi nos dada num posto de saúde, ali nos arredores da escola, na Av. Ipiranga ou Av. São Luis. Fomos andando em filas da escola até lá.
Bem ,voltando às carteirinhas: no ano de 1976, há uma alteração no nome da escola: Escola de 1* e 2* graus “Caetano de Campos “, isso porque em 1975 houve uma mudança nas leis de ensino e colocam nossa escola na Rede Estadual de Ensino, deixando de estar numa categoria especial.
Em 1977 mudaram nosso uniforme do qual sentíamos o maior orgulho: no lugar dele tivemos que usar aventais brancos horripilantes sobre a roupa que usávamos no dia a dia.Começamos a perceber as diferenças sociais, coisa inimaginável em todos os anos que estudamos lá.
Resumindo: faziam de tudo pra acabar com a qualidade de ensino,com os símbolos de nossa escola e com a nossa moral, mas com o corpo docente que tínhamos, com os valores que nos foi passado por quase uma década não conseguiram, só ganharam a guerra quando fomos expulsos de lá em 1977, quando o Secretário da Educação resolveu transformar o edifício criado para ser Escola Modelo num orgão público, a Secretaria da Educação. A escola então completaria 83 anos de existência, depois que saiu de lá nunca mais foi a mesma.A educação pública de qualidade morreu naquele mesmo ano, uma pena.
Até 1970, os boletins eram como o modelo acima. Assinatura da diretora da época, D. Corintha
Esses modelos foram criados em 1971 e utilizados até 1972, quando foram substituídos pelas cadernetas.
1971- somente o ginásio tinha caderneta
Notem a observação sobre a caxumba.
Português foi substituído por Língua Pátria e História e Geografia por Estudos Sociais.
D. Carmela, diretora do primário, assinava nossos boletins.
Ligeiramente falsificada, pois em 1976 estávamos na 6a série...
terça-feira, 1 de março de 2011
sábado, 26 de fevereiro de 2011
O Esqueleto dançarino - História ocorrida em 1976
Estava aplicada em copiar as lições do quadro negro, em plena aula da manhã, quando uma poeira começou a surgir nas folhas brancas de meu caderno. Limpei e não dei muita atenção, continuei escrevendo. Porém, em segundos a poeira tornou-se grãos e os grãos viraram pequenos pedaços de estuque que desprendiam do teto diretamente para minha carteira. Em pouco tempo estávamos todos olhando para cima aguardando o desenrolar dos fatos...
O que era um pequeno buraco no teto foi ligeiramente alargado por um dedo,que se nos expôs tal qual minhoca adolescente em plena luz da manhã. Retirado o dedo,veio a surpresa:dois pequenos pés, seguidos de tíbias, fêmures, pelve, tórax, braços,mãos e crânio:Pronto!
Lá estava uma caveirinha de plástico, branquinha (provavelmente daquelas que fosforescem no escuro) pendurada por um fio de nylon, que foi chacoalhada, dançou no ar por poucos minutos e foi retirada rapidamente pelo autor da façanha.
Todos demos muitas risadas. Foi inédito! Confesso que senti uma admiração enorme –quase uma pontinha de inveja- pelo dono do “feito”,pelo seu grau de “atrevimento” e “transgressão” em furar o teto e pendurar uma caveirinha. Mal sabia eu que no futuro eu veria esqueletos de verdade na faculdade de medicina. Ainda bem que eles não dançaram na aula de anatomia!!!
Glaura M A Lisboa
Fotos da Marcinha
1971: Patrícia, Luis Antônio, Márcia, Paulo Sérgio, Márcio, Maurice e Ciro
1971...Pintou um de amarelo, o segundo azul ficou, um outro vermelhinho, mas o quarto se quebrou...
Fotos do Guilherme
Guilherme com os irmãos Lectícia e Marco Aurélio
Guilherme com o pai e os irmãos
Guilherme e Marco Aurélio
Marcelo José e Guilherme
Marcelo José, Guilherme e Patrícia
Fotos da Márcia
Jardim da Infância, D. Antônia a servente
Festa Junina, 1970
1971: Márcia, seu pai, Milton e Cecília
1971: Laís e Márcia
Sentados: Maurice e Cecília.
Ao centro: Sandra, Márcia, X, Inajara, Milton e Marco Antônio.
Fileira acima: Ubiratan (entre Milton e Marco), X, Renan e Marcelo
domingo, 20 de fevereiro de 2011
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Fotos da Roberta
Tereza, Ana Maria, Catarina, Anastásia, Fernanda e Roberta
Roberta, Catarina, X, Tereza, X, Ana Maria, embaixo: X, Y, Z e Márcio.
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