quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Música na Escola Caetano de Campos

O número de canções escolares produzidas depois das primeiras reformas republicanas é grande. Hinos, canções escolares, marchas, cantos de despedida, de encerramento, de entrada. Cada momento do trabalho escolar possui uma canção específica.
Encontramos na temática dessas canções os mesmos valores e preceitos que permeiam os discursos oficiais sobre a sociedade brasileira e o papel da escola na construção da sociedade.
As canções assumem assim o papel de propagadoras desses valores que quer se incutir. Se o discurso, quer seja escrito ou falado ecoa por entre os letrados, a canção é o veículo mais eficiente para os estudantes e para grande parte da população.
As músicas populares que acompanham o cotidiano das classes populares é substituido por essas canções com os valores que se quer incutir.
Até mesmo Pestalozzi, um dos educadores em voga no discurso republicano baseado no método intuitivo aparece nas letras de hinos.




                                                 Relatório de Alfredo Pujol- 1895






No acervo da escola encontramos um livro de músicas, datado de 1897, onde se encontram diversos exemplos de hinos e marchas escritos pelos professores da Escola Normal e mesmo até de figuras conhecidas como , por exemplo o escritor Casimiro de Abreu.




O interessante é perceber que inúmeros mestres formados pela Escola e atuantes em materias diversas também compunham letras musicais.


 Um exemplo é João Kopke. Esse educador formado pela Escola Normal e proprietário da famosa escola  positivista Neutralidade ( onde até Caetano de Campos deu aulas), escreveu letras de músicas: 


                                                     Hino com marcha de João Kopke







René Barreto, formado em 1895 pela escola Normal foi poeta, escritor de livros didáticos como "História da Pedagogia" e livros de matemática, escritor de peças teatrais e foi autor de diversos hinos escolares entre eles "Deus te salve, Brasil" e autor do primeiro Hino da Escola Normal; era irmão de um outro grande mestre formado pela Escola Normal:Arnaldo de Oliveira Barreto que dirigiu a Escola-modelo.




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Um dos diretores da Escola de 1928 à 1930 Honorato Faustino também. Mas este tem uma história interessante:
Durante a inauguração do prédio da Praça da República , em 1894, ocorreram 5 festas a fim de “solennisar algumas datas notaveis de nossa historia”, nas quais afluía um público considerável: 21 de abril, 13 de maio, 8 de junho, 29 de novembro e 7 de dezembro. (Prestes, 1895, p.179).
Ao mesmo tempo em que serviam para marcar datas cívicas consideradas importantes para a nacionalidade, serviam como momentos para mostrar a escola recém inaugurada.A escola republicana, que já se fazia ver através do seu suntuoso edifício, mostrava-se nessas festas como irradiadora de um saber e de um “ethos”republicano. Os exames eram festivos, com poesias declamadas por alunos, demonstrações de ginástica, exercícios militares, representações teatrais e apresentações musicais nas quais se destacava os hinos escolares cantados em coro e regidos pelo professor de música ou pelo diretor.



“A parte musical da solemnidade esteve sob regencia do professor Honorato Faustino de Oliveira …
Fez questão que na festa inaugural só figurassem alumnos da escola” – O Estado de São Paulo 3/08/1894

A música tinha também a função moralista e patriótica,  “modelos indispensáveis para a civilização moderna”.

                                           Sou Brasileiro- letra de Luiz Galvão

Além disso percebía-se que a música era um diferencial de uma escola antiquada e outra moderna e dinâmica que intercalava marchas, músicas e exercícios de ginástica.

Música de Romão Puigari, o mesmo autor do Hino Salve Escola- Hino oficial do Caetano de Campos

Durante todos os 83 anos da Escola Caetano de Campos na Praça da República, mestres e maestros compuseram essas músicas, que foram publicadas e difundidas por todo território nacional.


Fonte:
No Compasso do Progresso: Aílton Pereira Morila;
Revista Brasileira de História da Educação- jul/ dez 2006


Poliantéia Comemorativa Cem anos da Escola Normal

Gilioli, R de S.P.- “Civilizando pela música”: a pedagogia do canto orfeônico na escola paulista da primeira república (1910-1930). Dissertação Mestrado  em Educação FE USP -2003

Jardim , V.L. G.- Os sons da República : o ensino da
música nas escolas públicas de São Paulo na primeira república- 1889-1930- dissertação de mestrado em Educação- Fac. De Educ. Da PUC SP-2003

Hilsdorf, M.L.S.- Francisco Rangel Pestana: jornalista, politico, educador-1986- tese de doutorado em Educ. Fac. De Educação da USP



Maestros e Canto Orfeônico na Escola

Em 12 de marco de 1906, foi inaugurado o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, por iniciativa de Pedro Augusto Gomes Cardim, irmão de Carlos Gomes Cardim, e de João Gomes de Araújo, pai de João Gomes Junior, professor de música na Escola Normal. A finalidade dessa instituição era a de sistematizar o ensino na cidade, pois a efervecência musical da época exigia uma escola de música compatível a uma adequada formação profissional de músicos e professores. Nessa escola, por exemplo, estudou Mário de Andrade, que posteriormente tornaría-se professor de música na própria escola. O professor Carlos Gomes Cardim , tinha uma catedra de música nessa escola, além de dirigi-la.







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As décadas de 1930 e 1940 representaram um dos momentos mais significativos na história da educação musical em nosso país, pois foram assinaladas por iniciativas e ações de educadores e dirigentes, com a finalidade de implantar o ensino de música nas escolas em âmbito nacional.
Villa-Lobos concebia um perfil de cidadão brasileiro que se ajustava ao perfil desejado pelo Governo de Getúlio Vargas (1930-1945) e foi capaz de propor que pelo Canto Orfeônico, fossem inculcados os valores morais e cívicos necessários ao povo. Compondo obras que enalteceram a brasilidade, incorporando elementos das canções folclóricas, populares e indígenas. Seu método pedagógico permitiam às crianças gritar, bater palmas e bater com os pés durante os ensaios.




                                           Canto Orfeônico dirigido por Villa Lobos em 1942


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 Porém naquela época o estudo de Música e o Canto Orfeônico já estava em pleno funcionamento na Escola Normal, desde 1890, quando Caetano de Campos assumiu a direção da Escola. Portanto, o ineditismo do ensino de Música e Canto Orfeônico, em escolas públicas,  é erroneamente dado ao projeto de Villa-Lobos.
Pelo Decreto Federal n* 981, de 28 de novembro de 1890, era previsto a exigência de professor especializado para o ensino musical no âmbito escolar.
A partir da Reforma de Rangel Pestana- Lei n* 81 , de 6 de abril de 1887- estabeleceu-se o canto coral como atividade obrigatória, sob a responsabilidade de professoras normalistas, após o decreto n* 27 de 12 de marco de 1890 determinou a obrigatoriedade  do ensino da música no curriculos dos cursos de professores da Escola Normal e nas séries iniciais par alunos de 7 a 10 anos.
O programa abarcava conhecimentos de teoria, solfejo e canto coral.
Em 1896, sob a influência no campo da Pedagogia, sobretudo no Jardim de Infância anexo à Escola Normal Caetano de Campos, cuja educação das crianças fundamentava-se nas propostas de Fröebel , a música assume a feição de mediar os jogos e as atividades educacionais.
A partir de 1911, a música adquire um estatuto fundamental na formação dos normalistas de São Paulo, pois passa a compor o currículo durante todos os quatro anos do curso de formação, com aprofundamento dos estudos musicais e a realização de provas oral e escrita nos exames de suficiência.




1911- Branca Canto e Mello- professora formada pela escola Normal, depois deu aulas de Latim e História no primário e ginásio, além de ser uma das primeiras mulheres na década de 1930 participantes de movimentos pelo direito feminino ao voto.

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Os precursores dos Orfeões Paulistas foram João Gomes Júnior ( 1868-1963) e Carlos Alberto Gomes Cardim (1875-1938), que em 1926 publicaram o livro O Ensino da Música pelo Método Analítico plicando os processos da lingual portuguesa à aprendizagem musical.

Partitura com músicas pelo método Analítico de Carlos Gomes Cardim e João Gomes Junior


                                           Prof. Carlos Alberto Gomes Cardim


                                                         Maestro João Gomes Junior

Desde as suas primeiras iniciativas de organizar métodos e materiais de ensino de música adequando-os aos novos princípios da escola republicana, o maestro João Gomes Junior gozou do apoio de alguns profissionais, que pouco a pouco aderiram às discussões e debates, contribuindo para a área do ensino musical das escolas públicas. Entre eles podemos citar a família Gomes Cardim, professor Luigi Chiafarelli, Fabiano Lozano, João Batista Julião, Honorato Faustino ( formado pela Escola Normal, foi diretor também), Antonio Carlos, José Carlos Dias, José Ivo( Escola Normal, compôs o Hino Salve Escola com Romão Puigari, também da Escola Normal) nomes que estão ligados a criação de instituições de ensino de música especializado, como também a produção de ma- terial didático e pedagógico.



O maestro e professor João Gomes Jr. do Conservatório Dramático e Musical, já atuava nas escolas públicas paulistas desde 1893, buscando adequar o ensino musical ao método intuitivo. Como resultado, elaborou diversos métodos e compêndios, entre os quais destacamos “Orpheon Escolar ( 1922); Cantigas da minha terra ( 1924); Canções Brasileiras ( 1926) ; Solfejo Escolar ( 1926) e Aulas de manosolfa (1929).
Essas aulas permaneceram por toda a década de 1930, e eram dadas principalmente para as crianças do ginásio.


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O maestro João Batista Julião mantinha em sua escola o Instituto Musical de São Paulo, fundado em 7 de julho de 1927 um Curso Geral de Professor de Música e Canto Orfeônico. Posteriormente cria, em 1949 o Curso de especialização de Professores de Canto Orfeônico, anexo ao Instituto de Educação Caetano de Campos, o primeiro em São Paulo, de âmbito estadual, aproveitando a situação política favorável e as exigências legais do Curso Normal, que previa a especialização de professores primários. Em 1963, esse curso passa a integrar o Conservatório Estadual de Canto Orfeônico de São Paulo – CECO-SP criado no prédio da Pinacoteca e , posteriormente, Faculdade de Música Maestro Julião,
momento que integrou a Universidade Estadual Paulista UNESP. Atualmente é o Instituto de Artes da UNESP.



Na Escola também tiveram destaque, o maestro Rivadávia Luz, Mozart Tavares de Lima, Mary Buarque, que foi a primeira radialista no programa infantil em 1932, com o programa "Pequenópolis", na Rádio Cosmos, era compositora e professora de música , Frederico de Chiara, João da Cunha Caldeira Filho e Ruy Botti Cartolano.

Esse livro com música do maestro De Chiara, teve letras escritas pela professora do Jardim de infância da década de 1930 Alice Meirelles Reis.



                           De Frederico De Chiara- Cantigas de Roda para uso das escolas



                                Ruy Botti Cartolano e João da Cunha Caldeira Filho

A Educação Musical foi extinta pela lei no 5.692, de 11 de agosto de 1971 (Brasil, 1971), que obrigou a inclusão da Educação Artística nos currículos de 1o e 2o graus.
Porém na escola continuaram a ser ministradas as aulas dos Hinos no ginásio com o último de seus maestros: prof. Ruy Botty Cartolano . As normalistas tinham regularmente aulas com ele no seu curriculo, até o fechamento da Escola na Praça da República em 1977.


Fonte:




Gilioli, R de S.P.- “Civilizando pela música”: a pedagogia do canto orfeônico na escola paulista da primeira república (1910-1930). Dissertação Mestrado  em Educação FE USP -2003

Jardim , V.L. G.- Os sons da República : o ensino da
música nas escolas públicas de São Paulo na primeira república- 1889-1930- dissertação de mestrado em Educação- Fac. De Educ. Da PUC SP-2003

Hilsdorf, M.L.S.- Francisco Rangel Pestana: jornalista, politico, educador-1986- tese de doutorado em Educ. Fac. De Educação da USP









terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Ruy Botti Cartolano



Ruth Cartolano, esposa do maestro Ruy Botti Cartolano conta sobre a trajetória do nosso querido professor e maestro que desde a década de 1940 deu aulas de canto orfeônico na nossa escola.
O prof. Rui , à princípio dava aulas para as crianças do ginásio, mas no final da década de 1950 começou a trabalhar com as normalistas, que tinham aulas com ele regularmente.
No entanto, ele era responsável por ensinar para as crianças do ginásio todos os hinos possíveis e imagináveis. Eu não me esqueço de quando aprendi com ele a cantar corretamente o Hino Nacional, na década de 1970. Eu achava ele meio bravo, mas depois que ouvi tantas ex-alunas normalistas acharem ele a "coisa mais fofa do mundo" ( ele ganhou até uma faixa com os dizeres "mister fofinho" numa excursão com alunas), fiquei pensando que se tratava da tal postura que um maestro deveria ter, como declarado por D. Ruth.
Enfim, ele começou como um garoto prodígio em sua pequena cidade de Rio Claro, nasceu naquela cidade aos 13 de novembro de 1916, e iniciou seus estudos musicais aos 9 anos de idade; veio para São Paulo e ganhou inúmeros prêmios e concursos, um deles no Conservatório Dramático e Musical ,onde estudou de 1929 à 1932, formando-se professor.
 O Conservatório era dirigido pelo prof Carlos Gomes Cardim, que havia sido diretor da Escola Normal, ganhou um piano como prêmio num concurso que durou 4 dias, que ainda está na sala de sua casa ;foi amigo de Guiomar Novaes e Madalena Tagliaferro ( tem fotos delas com dedicatória em seu escritório), tocou com Arthur Rubinstein, que o convidou para tocar na Europa, mas nunca quis sair do Brasil, era muito apegado à sua mãe e como disse D. Ruth, preferia ficar no conforto do lar à seguir uma carreira internacional.
 Ensinou órgão na Unesp, tocou esse instrumento na Igreja da Consolação por muitos anos, deu aulas particulares, escreveu vários livros com métodos adotados até hoje, compôs músicas com a colaboração de amigos que escreviam as letras, como em 1932 com uma pessoa não identificada ou o com o prof e diretor da Escola Raul Schwinden, em 1956, com o Hino de Santos Dummont, em matéria publicada, clique aqui.
Enfim, uma vida dedicada à música e ao magistério, uma pessoa querida por todos os alunos e colegas.









São Paulo Invicto - A idéia da redenção está no centro da marcha São Paulo Invicto, que teve letra composta por um não identificado F.C.S. e melodia de Ruy Botti Cartolano: os bandeirantes paulistas sairiam em busca de louros, para alcançar a redenção do País; morreria, sem tremer, a parte melhor de São Paulo, que assim, reviveria os grandes feitos esquecidos do passado.
Por esse início, que começa com um sinal militar, São Paulo seria na guerra invicto, tal como sempre fora na paz. O povo bandeirante deveria ir avante, sempre avante, vencer com fé pelo bem do Brasil. Seria da energia paulista que o Brasil esperaria o seu grande futuro:
É da tua força,
oh! Povo Paulista
Que o Brasil hoje espera a conquista
De um futuro radioso de glória
Que lhe darás com a tua vitória

                                                              Prêmio- 1939




                                                   O jovem Ruy Botti Cartolano

                                                             Década de 1950

                   Por ocasião das comemorações do 4* Centenário de São Paulo- 1954

                                                      Continuação da matéria acima


Em 1954- Em comemoração do 4* Centenário no auditório da Escola Caetano de Campos-
 Foto: Elyseu Guilherme salgado Rocha


                          1956- Hino a Santos Dummont cantado pelo orfeão no Teatro Municipal



                       Apresentação do livro "Canta , Mocidade "- Hinos e Cânones











                                          Com alunas, meados da década de 1970

                                                Com alunas,final da década de 1970


                                                1978- dedicatória a uma aluna

Fonte: arquivos pessoais do prof. Ruy

Benedito Barros Barreto: Belmonte

Belmonte nasceu em  15 de maio de 1896, na cidade de São Paulo, onde viveu toda sua vida.Depois de ter perdido o pai, João Carneiro Bastos Barreto, médico de profissão, quando Belmonte tinha 2 anos de idade, sua família parece ter enfrentado dificuldades financeiras. Mesmo assim , a mãe de Belmonte nunca descuidou da educação. Ele foi matriculado na Escola Modelo, anexa à Normal , mais tarde transferido para o ginásio Macedo Soares( do professor formado pela Escola Normal e também mestre da mesma) e depois para o Instituto de Ciências e Letras.
Após concluir seus estudos no Instituto matriculou-se na Faculdade de Medicina da Rua Brigadeiro Tobias, mas lá permaneceu por pouco tempo , pois gostava mesmo de desenhar e escrever. Em 1914, ele conseguiu publicar pela primeira vez um desenho seu na revista Humorística Rio Branco.


 No ano seguinte passa a ser um dos principais colaboradores da revista Alvorada, assinando as ilustrações como Barreto, e de outras publicações como: MiscellaneaRadiumCosmosRevista da SemanaDom QuixoteFon-Fon!. Apesar da relativa notoriedade no fim dos anos 1910, seu desenho mostra-se bastante influenciado pelo grande caricaturista J. Carlos (1884 - 1950), a quem reconhece como mestre e de quem nunca se liberta completamente.

Benedito Barros Barreto, Belmonte, é um dos caricaturistas mais importantes em atividade em São Paulo na primeira metade do século XX, além de ser jornalista e cronista.
A transformação do ilustrador Barreto no chargista Belmonte dá-se em 1921, quando é convidado pelo amigo o jornalista Paulo Duarte a substituir Voltolino (1884 - 1926), caricaturista da vida paulistana na Folha da Noite ( hoje Folha de São Paulo) .
Suas charges diárias, por vezes com referências eruditas, tratam tanto de política quanto do cotidiano da cidade, como o descaso das autoridades pelos monumentos públicos, a urbanização desenfreada que derrubava prédios, o problema da arborização, as pichações políticas.

Durante pelo menos 20 anos, nas décadas de 1930 e 1940, um dos personagens mais populares no dia-a-dia dos paulistanos não era de carne e osso. Era uma figura de páginas impressas, mordaz, gentil e defensor dos fracos. Era o Juca Pato, criação imortal do jornalista, cartunista, chargista e caricaturista Belmonte para a qual havia sido contratado como ilustrador, que criou sua imortal obra.


Juca Pato era careca, segundo o seu autor, de “tanto levar na cabeça”, e adotava o lema conformista “podia ser pior ”, que virou bordão na cidade de São Paulo e atravessou fronteiras. Belmonte também escrevia reportagens e ilustrava livros, ( assim fez o colega do Caetano de Campos, Antonio Paim Vieira)  também ilustrou livros de Monteiro Lobato. 

Na Revolução de 32 criou a estampa do "bonus de guerra"que circulou como dinheiro, substituindo a moeda oficial durante aquele período.

Em 1935 teve o livro de suas crônicas publicadas "Idéias de João Ninguém"; as crônicas selecionadas foram tiradas das publicações feitas pela "Folha da Noite" no período compreendido entre 1933, 1934 e 1935.


Durante a Segunda Guerra Mundial publicou charges que correram o mundo e teria despertado a ira do ministro da propaganda nazista. Diante de um desenho seu, ridicularizando os alemães, Goebbels teria desabafado: “Esse artista deve ter sido pago pelos aliados ingleses e norte-americanos”.




Em 1946, à pedido da diretora da Escola Caetano de Campos, por ocasião da comemoração dos 100 anos da Escola Normal, desenhou o convite da festa organizada por ela no Teatro Municipal, pois ainda naquela época, como seu colega  contemporâneo e também ilustrador Antonio Paim Vieira, mantinha contato com a Escola.
Belmonte não alcançou a velhice. Morreu na madrugada de 19 de abril de 1947, com cinquenta anos de uma moléstia pulmonar que o consumia havia anos.



Em 1962, por sugestão de Marcos Rey, então segundo secretário da União Brasileira de Escritores, foi criado o "Troféu Juca Pato". Este prêmio seria dado ao melhor livro publicado no ano e, o autor, receberia o título de "Intelectual do ano". E por que Juca Pato? Porque Juca Pato era figura inteligente, careca, mal vestido num fraque, sempre se defendendo dos apertos, tal qual a maioria dos escritores que ganham pouco e lutam bastante para publicar seus livros.

Lygia Fagundes Telles, também aluna da Escola Caetano de Campos, ao receber seu troféu Juca Pato



Publicou as seguintes obras: "Angustias de Juca Pato" (album de caricaturas);
 "O amor através dos seculos" (album de caricaturas, edição de luxo);
 "Assim falou Juca Pato" ( crônicas humorísticas);



"A cidade do Ouro" (livro para crianças);
 "Idéias de João Ninguem" (cronicas humoristicas,)
"No reino da confusão" (album de caricaturas); 
"Música, maestro!" (album de caricaturas); 
"A guerra do Juca" (album de caricaturas); 
"No tempo dos Bandeirantes" ( livro de história).


Fonte:
Scowena, Sandra Maret: Nas linhas e entrelinhas do riso: as crônicas humorísticas de Belmonte

Itaú Cultural: Benedito Bastos Barreto

Jornal ABI - Associação brasileira de Imprensa- outubro de 2007- edição extra- 170 anos de caricatura no Brasil

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Antonio Firmino de Proença

Nasceu na cidade de Sorocaba, no dia 26 de junho de 1880.


                            Antonio Firmino de Proença,  à direita-, aos 8 anos em 1888

Antonio Firmino de Proença iniciou sua jornada no magistério público do Estado de São Paulo, diplomando-se professor pela Escola Normal da Praça em 1904.
Sua vida de normalista teve início em 1901, poucos meses antes de completar vinte e um anos de idade.


Turma de formandos 1904, onde figuram os professores José Eduardo de Macedo Soares e René Barreto-  Proença é o primeiro sentado à direita


                                           Diploma da Escola Normal- 1904

Dois meses após sua formatura foi nomeado professor interino na Escola Complementar de Guaratinguetá. Alguns meses depois foi transferido para a Escola Complementar de Piracicaba. Nesta escola atuou como professor do 3* ano até a reforma de 1911, que transformou as escolas complementares em escolas normais primárias e criou as escolas normais secundárias. Em decorrência dessa reforma, foi nomeado para assumir a cadeira de Aritmética, Álgebra e Geometria na, já então denominada Escola Normal de Piracicaba.
Começava assim a perigrinação de Firmino de Proença pelas escolas normais do Estado de São Paulo, ora desempenhando a função de professor, ora de diretor e às vezes, as duas concomitantemente. A primeira dessas escolas foi a de Piracicaba ( 1911); depois a de São Carlos (1913); em seguida a de Pirassununga ( 1920) ; novamente a de São Carlos (1922); uma rápida passagem por Campinas, onde dirigiu o Ginásio do Estado (1927) .




1922- São Carlos- Comissão de festejos do Centenário da Independência- Proença na época diretor da Escola Normal de São Carlos é o 3* sentado da esq. para direita



Em 1928 vem para São Paulo onde assume o cargo de Inspetor Geral do Ensino e dois anos depois é nomeado diretor da Escola Normal da Capital (1930).
Na Escola Normal ficou até sua aposentadoria, em 1938, onde em seguida abre sua própria escola: o Ginásio Caetano de Campos, que ficava na Rua Augusta, fato esse muito curioso, pois quase ninguém sabe da existência desta escola, nem a data de abertura e nem do encerramento de suas atividades, mas o que sa sabe é que mesmo depois da morte de Proença em 1946 a escola ainda funcionava, pois um professor que dava aulas nesta escola, o prof. Salomão Becker ( dava aulas na Escola Caetano de Campos também), foi o suposto criador do dia do professor, que foi instituído naquele estabelecimento no dia 15 de Outubro de 1947.
Não só se dedicou como mestre em Matemática, como dito anteriormente, era também versado em História Natural e Geografia .
Planejava estudos orientando aulas de Ciências, espalhando terrários pelas salas de aula para que as crianças vissem diretamente coisas da vida animal e nessa área escreveu livros sobre as lições das coisas ( baseado nos conceitos do Americano John Dewey) onde mostrava as maravilhas da natureza.
Escreveu também livros de Geografia, além das cartilhas e contos infantis.


  Cartilha Proença - primeira edição em 1926- esta capa foi de uma edição posterior


1926- Leitura do principiante evoca um universo infantil com desenhos de plantas, animais e natureza, embora em seu miolo aborde temáticas envolvendo a vida cotidiana, brincadeiras, comércio ,etc.


                           1926- 1* Livro de leitura- esta capa é de edição posterior


                                                    1926-  2* Livro de leitura

                                                 1927- 3* Livro de leitura


                                                      1928- 4* Livro de leitura

Os livros da série de leitura Proença contribuíram para a formação de muitas gerações de brasileiros. Todos tiveram sucessivas edições e alguns circularam em outros estados como Pernambuco, Ceará e Santa Catarina.


1928- Como se ensina Geografia teve duas edições ( a outra é de 1932)- cada uma com tiragem de 3 mil exemplares, funcionava como um manual didático para professores.
Além deste livro, Proença foi reconhecido e fartamente citado por diversos autores, dada sua expressividade na produção pedagógica da época. Foi autor entre outras publicações , de diversos artigos na revista "Educação"de São Paulo, dentre os quais sobressaem treze artigos em que constavam planos de lições primárias, modelos de aulas, recomendações didáticas,, salientando-se o enfoque notadamente metodológico atribuído às proposições de ensino daquela matéria.


Década de 1930- ele é o 4* sentado da direita para a esq.- Fernando de Azevedo é o 2*- aqui estão entre um grupo de professores


1935- Firmino de Proença acumulava os cargos de diretor da Escola Primária e Secundária, em 1936, Carolina Ribeiro assume a diretoria da Escola Primária. Na foto ele é o terceiro em pé da esq. para a direita. O diretor Fernando de Azevedo é o 3* da direita para a esquerda.
Todos professores das Escolas Primária e Secundária.

Quando Fernando de Azevedo foi diretor do Instituto de Educação e começou a reforma para a construção do terceiro andar do prédio da escola, em 1933, Proença era diretor das Escolas Primárias e Secundárias, como foi citado anteriormente. Quando Azevedo deixou o cargo, assumiu então Firmino de Proença seu lugar, mas o Instituto de Educação ligado à USP, voltou às suas origens chamando-se assim  “Escola Normal Modelo “.


1938-Primeira turma formada pela IEUSP( Instituto de Educação da Universidade de São Paulo, criada por Fernando de Azevedo que substituiu a Escola Normal, mas que voltou a ser Escola Normal novamente em 1939) - Proença sentado na primeira fileira, quinto da esq. para direita

Somente em 1939, quando ele já havia passado o cargo para Carolina Ribeiro toda a escola denominou-se Escola Caetano de Campos.
Isso deveu-se a um fato curioso ligado diretamente à Proença: sua turma, formada em 1904 em 1939, ao completar 35 anos de formada pediu que fosse dado esse nome para toda a Escola e foram atendidos pelo decreto n* 10776, de 12/12/39, expedido pelo então secretário da Educação Álvaro Guião, que veio a falecer num desastre aéreo naquele ano e que por gratidão seu nome foi dado para a sala de conferências recém inaugurada no terceiro andar, onde recebeu uma placa de bronze com sua assinatura, encomendada por Carolina Ribeiro.

                                            1939- Antonio Firmino de Proença

Em 1946, por ocasião do centenário da Escola Normal, recebeu o nome de Instituto de Educação “Caetano de Campos”.


Fonte:
Fotos do acervo pessoal de Proença e cedidos por sua bisneta Inaiá Nogueira da Silva Diniz, que foi a idealizadora do livro sobre a vida de Antonio Firmino de Proença:
Razzini- Marcia de Paula Gregório - organizadora do livro: Antonio Firmino de Proença: professor, formador, autor-Porto de Idéias- 2010:
Capítulos escritos por: 
Luis Carlos Barreira-Trajetória de Antonio Firmino de Proença
Isabel Cristina Alves da Silva Frade-Cartilha Proença e leitura do Principiante de Antonio Firmino de Proença: configurações gráficas e pedagogia
Maria Helena Camara Bastos e Maria Stephanou- Pátria, patriota, patriotismo, compatriota, patrício: valor do ensino da "Geografia da Pátria"na escola brasileira