sábado, 14 de maio de 2011

Minha primeira classe no Jardim de Infância

Ao ser sorteada para ingressar no Instituto de Educação  “Caetano de Campos “em 1969, entrei no segundo grau do jardim da infância numa classe instalada de maneira bastante peculiar no pequeno pátio localizado do lado oposto à entrada principal da escola: nos fundos que dava para a rua que antecede a av. São Luis.
Era uma pequena casinha pré-fabricada de madeira,com janelas por toda a volta, que adorávamos, mas que inconveniente, pingava água dentro nos dias de chuva! Na hora do recreio após tomarmos nossos lanches em nossas mesinhas, íamos brincar no tanque de areia ao lado da casinha, onde havia alguns brinquedos, entre eles um escorregador . Lembro-me que durante aquele ano, a cada feriado ou festa importante do calendário a professora, D. Célia incumbia uma criança de pintar as janelas com o desenho da data a ser comemorada. Eu sonhava com o dia em que eu pudesse pintar a janela. Ela nunca me chamou. Que será que eu teria pintado? Esta casinha foi desmontada em 1972,segundo o Prof. Fábio, nosso diretor, que decidiu que por ali seria a saída de todos os alunos da escola, que , por medida de segurança não sairiam mais pelas portas laterais e sim no local mais próximo às peruas .
As fotos desta casinha encontrei nos arquivos do CRE Mario Covas e mostram já como estava para ser desmontada e o pátio refeito para o novo uso: a passagem de um elevado número de estudantes.

Parte Interna
1968

Pátio com parquinho e casinha ao fundo
1968


Parte externa em processo de desmontagem





Homenagem à Caetano de Campos

Era costume em nossa escola, desde sempre homenagear o nosso patrono. Muitas das homenagens ocorriam no cemitério do Araçá, onde se encontra a lápide de Caetano de Campos. Encontrei algumas fotos no arquivo do CRE Mario Covas sobre esse evento. Por incrível que pareça, localizei as fotos relativas à homenagem do dia 17/05/ 1974, quando nossa turma se reuniu em frente à escola para assistir ao discurso do nosso diretor Prof. Fabio de Barros Gomes,e tivemos a oportunidade de ouvir o neto do próprio patrono, o Sr.Antonio Caetano de Campos Neto, que ofereceu à escola um vaso pertencente ao seu avô. Estavam presentes sua bisneta, sra. Raquel Varella de Azevedo, que ofereceu também uma secretária pertencente ao bisavô e que foi posteriomente levada ao museu, Prof. Raul de Andrade e Silva ( neto de Caetano de Campos),estavam presentes a D. Carmela ( diretora do primário) , D. Maria Medeiros: vice- diretora e D.Aracy Fortes :assistente de direção; além de nossos colegas, como a Rita que aparece declamando e nós lá em baixo assistindo de camarote. Ao fundo aparecem nossas professoras D. Kiyome e D. Lúcia. Após esse evento, partimos em direção ao cemitério, onde eu(!) fiz o discurso. D. Kiyome me incumbiu de decorá-lo, me lembro até hoje das primeiras palavras:
“Meus digníssimos diretores, professores e meus caros colegas de estudo, estamos aqui reunidos… 


Roberta colocando as flores no busto do patrono

Sentadas: Soraya, Vanda, Mônica,Cecília, Anastásia, Patricia


Ana Maria e Tereza Cristina

D. Maria vice diretora falando, à direita , na parte superior Catarina e em baixo Cecília

Mônica e Soraya

Prof. Fábio , D. Aracy, assistente de direção e Antonio Caetano de Campos Neto

À esquerda , nosso colega Paulo Sérgio, discursando :Antonio Caetano de Campos Neto 

Prof. Fábio recebendo o vaso pertencente ao nosso patrono

Sra. Raquel Varella de Azevedo, bisneta de Caetano de Campos

Eliane, Márcio, Monica, Zaira, Patrícia e Durval, atrás à esquerda Maurice, Ubiratã, Maria Elvira, D. Kiyome, Jean, Milton

Olhem no fundão: Willy, Anselmo, Denis, Tereza, Ana Maria , Glaura, Selma e muitos mais!


Durval, Antonio Sergio, Emílio, Anna Paula, Ugo e Angélica

Turma da D. Lucia : Luis Antonio e Leonardo, D. Carmela discursando

D. Wilma, Maria Elvira,X, Alex , Luis Antonio e Leonardo

O que será que o Anselmo encontrou ali?

Rita!!!!

Aqui vemos D. Kiyome, D. Lucia, Monica F., Ciro, Helena, Tereza, Braga, Plinio, Fernanda, Annick, Rosana, Barreto, João...

D. Carmela, Eliane, Cecília, X, Soraya, Pompílio, Vanda, Ugo, atrás Eduardo , Deborah


domingo, 8 de maio de 2011

Livro Baixinha de uma figa,não!

Livro sobre os anos 60 e 70, com seus costumes e peculiaridades, muitas histórias passadas no Caetano de Campos, uma das maiores instituições de ensino do nosso país, muitos colegas que aparecem neste blog são citados no livro, é pra rir e sentir saudades...
O livro pode ser adquirido na Livraria da Vila da Alameda Lorena, 1731. Na Livraria Sêfer na Alameda Barros, 735 ou na Livraria Cultura (somente online) www.livrariacultura.com.br

Capa

Contra-capa

Centro de Referência em Educação Mário Covas

Se você deseja saber tudo sobre a Educação Pública no Brasil, existe o Centro de Referência em Educação Mário Covas, localizado na Av. Rio Branco, n*1.260 . Como nossa escola foi a pioneira, muito do que se encontra lá vem do Caetano de Campos. Lá existe uma exposição de materiais escolares como cartilhas, canetas antigas, documentos, fotos e mobiliário que foram resgatados da Biblioteca infantil,tais como estantes, aparedores, mesinhas com as cadeirinhas, animais empalhados do Museu, globo, expositores de moedas e selos, enfim, se quiserem matar a saudades é só dar um pulinho . Os profissionais que trabalham lá são super acessíveis e adoram visitas de ex-alunos, educadores e pesquisadores. Existe ainda depoimentos de pessoas que estudaram e que trabalharam na escola.Para mais detalhes acessem o site: www.crmariocovas.sp.gov.br




















quinta-feira, 5 de maio de 2011

Depoimento Ubirajara Praieiro de Alencar

Depois de muitas buscas, através do nosso querido diretor Prof. Fábio de Barros Gomes, localizei a “lenda“ viva Ubirajara ! Pra quem não sabe de quem estou falando, postei uma material à respeito no dia 20 de março(clique aqui para ver). Pra quem sabe, dá pra matar a saudades e a curiosidade. Devo dizer que eu morria de medo e de respeito pelo homem, depois de tantos anos o medo se foi, ficou o respeito e a admiração, o homem é super do bem! Mil desculpas por um erro de concordância cometido no meio da entrevista , nervosismo, emoção, sabe como é que é! Vejam a seguir:


segunda-feira, 2 de maio de 2011

A criação da Escola Normal de São Paulo e da Escola-Modelo

Primeiro Período da Escola Normal- Império

A escola que nasceu da idéia de uma instituição de Instrução Pública, foi criada pela Lei n*34 do dia 16 de março de 1846. A escola foi inaugurada em 9 de novembro do mesmo ano e funcionou numa dependência da Igreja da Sé durante 20 anos, com um único professor, Dr. Manoel Chaves, que era catedrático em Filosofia e moral do Curso Anexo ligado à Faculdade de Direito. O curso durava 2 anos e era só masculina. Em 1847 foi criada a seção feminina. Em 1867, a primeira Escola Normal foi fechada devido à aposentadoria do prof. Manoel Chaves e por falta de verba.Em 20 anos, somente 40 alunos haviam se formado.

Segundo Período da Escola Normal- Império após Guerra do Paraguai

Após 8 anos a escola foi reaberta, no dia 22 de fevereiro de 1875, sob a vice- direção de Dr. Américo Ferreira de Abreu,que ministrava também aulas de História Sagrada e Universal, Geografia e Cosmografia ;além destas matérias fazia parte do currículo Lingua Nacional e Francesa, Caligrafia, Doutrina Cristã, Aritmética e Sistema Métrico, Metódica e Pedagogia com Exercícios práticos O curso durava 2 anos e foi reaberto em 2 unidades: masculino na Faculdade de Direito e feminino no Seminário da Glória.Porém foi fechado novamente em 1878 por falta de verbas.A direção naquela época era responsabilidade do Inspetor Geral da instrução Pública, Francisco Aurélio de Souza Carvalho.

Terceiro Período da Escola Normal- Império, época de grande prosperidade.

Após  2 anos, foi reaberta, no dia 2 de agosto de 1880 e dirigida pelo Presidente da Província e ex-aluno da escola normal Dr Laurindo Abelardo de Brito, a escola ficava no andar térreo do Prédio do Tesouro Provincial, na travessa do tesouro, onde ficou por menos de um ano, esse prédio foi mais tarde forum Civel, já demolido.
Em 1881 foi para prédio próprio, porém alugado à Rua da Boa Morte, n* 39 ( onde estivera o Colégio Pestana). Nesse prédio permaneceu 12 anos. Até a mudança para a Praça da República em 1894.O curso durava 3 anos e tinha aulas mistas. Os diretores deste período foram os seguintes:

1880-1882-Dr. V. Mamede de freitas( juiz)
1882-1884-Dr Paulo Burroul ( médico pela Faculdade de Bruxelas, fundador da Biblioteca da Escola Normal e do Gabinete de Física e Química
1884-1887- Prof. José Estácio Correia de Sá e Benevides – normalista e advogado
1887-1889-Cônego Manoel Vicente da Silva
1889-República-Desembargador Manoel Jorge Rodrigues (juiz). Monarquista, exonerou-se do cargo na data da República.


Quarto Período da Escola Normal- República

Primeiro diretor da era republicana : Caetano de Campos de 1890- 1891, após seu falecimento assumiu o Professor Gabriel Prestes- 1891-1898


A Escola da Praça

A construção especial do prédio da Praça da República destinado à formação de professores primários e a uma Escola Modelo que servisse de exemplo para Grupos escolares em multiplicação no estado desde a Proclamação da República, correspondia ao grande interesse que os republicanos paulistas manifestavam pela expansão da instrução primária e pela formação de professores aptos a assumir a tarefa de ensinar. A este empenho juntava-se a concepção de que, num país republicano, a instrução de base devia ser a mesma para todas as crianças e jovens, pois assim se formariam cidadãos conscientes de que todos eram fundamentalmente iguais; o convívio cotidiano entre crianças de variadas camadas sociais que recebessem os mesmos ensinamentos, submetidas às mesmas disciplinas no mesmo local, deveria fomentar um sentimento de identidade indispensável em uma democracia, que distinguiria esta de outras formas de governo. Uma escola que deveria ser um grande símbolo da democracia .
Filhos e filhas, seguidos de netos e netas de propagandistas da república, foram matriculados na escola instalada no novo prédio, pois lembrando que a mesma havia sido fundada em 1846, mas a sede própria , a qual conhecemos hoje no edifício da Praça da República foi inaugurada no dia 2 de agosto de 1894.
Gabriel Prestes, diretor da Escola Normal e a escola Modelo anexo  escola primária, foi o responsável pela mudança para a nova sede e criador, dois anos depois no Jardim de Infância. Ele foi sucessor de Caetano de Campos, que havia falecido no dia 12 de outubro de 1891, sem conseguir ver a conclusão do novo prédio que havia idealizado.


                          O Jardim de infância

O jardim de infância, foi criado em 1896, em prédio anexo e depois demolido em 1939.A escola era mista.
O elitismo do jardim já aparecia com a necessidade de atender um grande número de crianças confiadas  governantas das “melhores famílias “paulistas.
A cúpula do PRP foi um dos setores presentes na primeira turma. Bernardino de Campos, que foi presidente do estado por duas vezes ( 1892-1896 e 1902-1904) matriculou dois filhos.Havia também dois filhos de Júlio de Mesquita, advogado , proprietário do jornal O Estado de São Paulo, um deles, Júlio de Mesquita Filho após cursar o Jardim de infância e o Primário no Caetano de Campos, continuou seus estudos em Portugal e na Suiça.
Filhos de Francisco de Assis Peixoto Gomide, Ignácio Pereira da Rocha, Barão de Bocaina, Emilio Ribas,José Cardoso de Almeida para citar alguns exemplos.
Durante muito tempo, o Jardim contou com esse tipo de clientela, tendo entre seus alunos: Guiomar Novaes, Theodoro Sampaio Filho, Maria R. Matarazzo, Francisco Matarazzo, Cincinato C. Braga, Mario de Andrade, Cecília Meireles, Maria da Glória Capote Valente, Euzébio Queiroz Mattoso Filho, Francisco Peixoto Gomide, Oscar Americano,Clibas de Almeida Prado, Maria Eugênia de Abreu Sodré, Carmem Montoro, Genoveva Toledo Piza , Helena do Valle Amaral Gurgel; André Franco Montoro, Ruth Monteiro Lobato, Palmyra Carvalho Pinto, Fausto Eiras Garcia, Marina Mesquita, Ricardo Capote Valente; Nelson Amaral Gurgel, Paulo Eiró Gonçalves, Julio Cerqueira Cesar Netto, Luciano Gomes Cardim, Paulo Sergio Milliet da Costa e Silva, Renato Consorte, Lucia Ulhoa Cintra, maria de Loudes Abreu sodré, Maria Helena Gomes Cardim.
Para a criação do primeiro jardim de Infância do Brasil, uma equipe de 3 professoras trabalhou na elaboração e implantação das propostas.A coordenação dos trabalhos coube à Ernestina Varella, a poetiza Zalina Rolim e Rozina Soares. Estas traduziram métodos escritos em alemão e inglês- obras para exercícios de linguagem, de ginástica, brinquedos, cantos e hinos, histórias, tudo foi adaptado para as as crianças da escola, assim como todo o material didático foi importado dos Estados Unidos. O método norte-americano conhecido como froebiliano, utilizava cubos de madeira, bolas de borracha, materiais para desenho e alinhavo, modelagem , dobradura, etc…
As crianças tinham aulas de ginástica, marchas, desenho em lousa, música e até conversação ( assuntos diversos eram abordados nestas aulas: partes do corpo, seres e objetos que lhe seriam úteis, o amor, a família, dias da semana, meses, estações, animais, alimentos,etc…).
Foi criada a Revista do jardim de infância,editado por Gabriel Prestes,já na inauguração do jardim em 1896, onde partituras de músicas a serem usadas nas aulas e questões sobre o método freubeliano eram publicados.

                       A Escola Primária

Caetano de Campos, sendo diretor da Escola Normal entre 1890 e 1891  ainda quando a escola não estava na Praça da República criou uma escola-modelo anexa à Escola Normal, a escola primária. Esta escola funcionou primitivamente em compartimentos contiguos à igreja do Carmo- era conhecida como Escola Modelo do Carmo anexa à Escola Normal de São Paulo e foi fundada por Caetano de Campos em 17 de julho de 1890. Estavam matriculados naquele ano 191 alunos, sendo 84 homens e107 mulheres.  
   Caetano de Campos foi autor da “Grande reforma de 1890” movimento renovador nos primeiros anos da República.Em uma carta dirigida a Rangel Pestana, paladino entusiasta da Instrução pública, expressou o seguinte:
“(…) descobri por intermédio do Dr. Lane, da Escola Americana- a quem ficarei eternamente grato pelo muito que se tem interessado pelo êxito da nossa reforma- uma mulher que mora ahi no Rio, adoentada, desconhecida, e que esteve quatro anos estudando nos Estados Unidos. E uma professora, diz o Lane, como não ha segunda no Brasil e como não ha melhor na America do Norte. (…) Faltava-me, porem, um homem para os meninos, e isso é que é absolutamente impossível. Achei por fim, não um homem, mas uma mulher-homem. Eis sua fé de officio: Miss Browne, 45 anos, solteira, sem parentes nem adherentes, sem medo dos homens, falando ainda mal o portuguez, ex-diretora de uma Escola Normal em S. Luiz ( Massachussets),…
Tinha vindo para São Paulo, contractada pela Escola Americana,que m”a cede cinco dias por semana, para ajudar-me a realizar a refórma, que ficaria impossivel sem ella. (…) Isto custa dinheiro, mas ao menos, pela primeira vez, o Brasil vae ter uma verdadeira escola com ensino de Pestalozzi não falsificado, e é em São Paulo que se funda essa escola!”( apud Rodrigues, 1930, p.192-3)
A intensão era criar uma escola para a prática dos normalistas e foi baseada nas idéias de Pestalozzi acerca dos processos intuitivos de ensino.
Os órgãos dos sentidos eram considerados instrumentos de aquisição de conhecimentos, eram eles que permitiam o conhecimento do mundo. Por ser esta a base do método intuitivo, ele sintetizava a concepção da educação e aprendizagem dos reformadores de instrução pública em São Paulo, entre eles, Caetano de Campos. Calçada na Biologia e Psicologia,a educação dos e pelos sentidos caracterizava-se como um processo evolutivo e continuo, a qual por meio da observação e experiência levava os indivíduos a progredirem em todas as esferas humanas: intelectual, moral,física, artística, política, econômica e social.
Caetano de Campos acreditava que de nada servia a formação de profissionais do curso superior, se estes não forem às escolas das crianças, aprender como elas são manejadas e instruídas”.
E foi assim que a Escola primária da Escola Normal foi orientada e fundada pela educadora Americana miss Marcia Browne, em 1890,com a ajuda da brasileira Maria Guilhermina Loureiro, que fizera seus estudos nos Estados Unidos.Marcia Browne era professora do Collegio Mackenzie e desenvolvia um trabalho que espalhava-se nos colégios protestantes baseado no modelo norte-americano,  país desenvolvido que era considerado modelo ideal pelos republicanos.
Miss Browne permaneceu até 1894, quando a Escola chamada de Nova Escola Modelo do Carmo foi dirigida por Oscar Thompson ( mais tarde tornou-se diretor da Escola Normal).Quando a escola transferiu-se para a nova sede já chamava-se “Caetano de Campos”.
Em 1895 foram criadas classes de 5* ano.
Rangel Pestana foi fundador do Partido Republicano, dirigiu o jornal “A província de São Paulo “que era um periódico de propaganda republicana até 1889 quando há a Proclamação da República- passa a compor o governo provisório juntamente com Prudente de Moraes.
Ele indica Caetano de Campos para cargo de diretor da escola e este assume no dia 18 de janeiro de 1890.
Eles se conheceram no Colégio Pestana, onde Caetano era professor.

                        A Escola Normal


A Escola Normal da Praça nos primórdios era dividida em duas alas, feminina e masculina, com entradas independentes. Até mesmo certas matérias eram direcionadas diferentemente para homens e mulheres, Segundo o artigo 269 de 1892 das diretrizes pedagógicas dizia o seguinte:
“O programa do curso secundário de cada uma das escolas normaes comprehenderá as seguintes matérias: Moral, Educação Cívica, Psycologia, Pedagogia e Direcção de escolas; Portuguez,Francez  e Inglez ou Allemão ( facultative). História e Geographia. Mathemáticas elementares de mechanica. Astronomia elementar. Generalidades sobre Anatomia e Physiologia. Physica, Chimica e História Natural (…) Agrimensura, Escrituração Mercantil. Economia domestica. Desenho e Calligraphia. Musica. Exercicios gymnastticos e manuaes. Geographia do Brazil, especialmente do Estado de São Paulo; História do Brazil; Trigonometria e Hygiene “.
“O ensino destas materias sera comum a ambos os sexos, exepto o de Agrimensura, Economia Política e Exercícios militares que é destinado Exclusivamente aos homens e Economia domestica às mulheres.”
Nos exercícios militares até observamos em foto de 1908, de alunos empunhando espingardas e aulas de esgrima no páteo da escola.
Por Economia Política entendía-se o seguinte:
Renda, Distribuição. Definição, forma taxa, valor e medidas dos salários, Lassalle: Lei de bronze. Causa dos conflitos entra patrões e operarios. Juros, lucros, imposto. Suas espécies. Caridade e previdência. Consumo em geral. Consumo privado, consumo público. Relações entre consumo e a produção, luxo…
Por Economia Doméstica:
I-              A cozinha. Valor e compra, differentes alimentos:carnes cereaes, verduras, bebidas quentes e frias.Influencia da bateria de cozinha sobre os alimentos.Limpeza da cozinha.Combustiveis. Iluminação.
II-             Vestuário:instruções sobre as fazendas, Segundo suas origens, qualidade, preço, preparação e duração:linho, algodão, lã, ceda.
III-           Material(…)
IV-         Lavagem:methodo
V-          Bordado

O Magistério,profissão vista desde o século passado como uma maneira “digna e respeitosa “de as senhoras ganharem a vida e servirem a Pátria, parecia não oferecer riscos “morais” à Ordem e ao Progresso preconizados pelos republicanos. Por outro lado, as restrições curriculares apontam para os perigos” de outros conhecimentos. A imposição compulsória da Economia Doméstica possibilitava que as mulheres fossem afastadas das discussões de problemas sociais, que a Economia Política poderia suscitar, e , ainda fossem estimuladas pela escola a se manterem adstritas ao mundo de preocupações domésticas.
 A partir desse curriculo, os alunos-mestres, aplicavam seus ensinamentos em escolas-modelos, anexas à Escola Normal, que eram escolas primárias onde novas metodologias eram aplicadas, entre elas a Ginástica e Exercícios militares.
 As aulas aconteciam duas vezes por semana para os normalistas, tanto para homens, como para mulheres. O que se diferenciava é que as mulheres não exerciam exercícios militares.Estes exercícios eram executados tanto nos páteos abertos, como no galpão anexo, que ficava ao lado do jardim da infância ambos depois demolidos.
No primário a Gymnastica estava presente do 1* ao 5* ano para ambos os sexos.
Não podemos deixar de citar as atividades exercidas nos porões da escola, como modelagem e oficinas profissionalizantes.
Bem , o mundo mudou, as mulheres foram pouco a pouco conquistando seus direitos como cidadãs e naturalmente com o correr dos anos a escola foi modificando seu curriculo de acordo com com as diversas Leis e Diretrizes na Educação.




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