quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Histórias Caetanistas



                                     Por Roberto Barone- aluno da década de 1950

A coisa começou ali, naquele pequeno espaço público da Praça da República, no antigo prédio do Instituto de Educação Caetano de Campos. O ano era os idos de 1950. Naquele tempo, eu estudava no curso noturno, no primeiro ano ginasial do IE Caetano de Campos e morava na Rua Nova York, atual Rua Havaí, no Alto do Sumaré.

Ao sair do curso íamos em grupo de quatro, todos moleques, que morávamos na mesma região, subindo pela Rua da Consolação. Íamos a pé, agitados, em tremenda algazarra para economizar o dinheiro da condução. Naquela época, a Rua da Consolação era estreita, mal iluminada, com muitas casas, pouco comércio e algumas pensões no trajeto. Havia no ar um silêncio brusco da noite. Silêncio este só quebrado pelo ruído das vozes fragmentadas da molecada e dos bondes que subiam e desciam nos dois sentidos da rua.

Já lá no topo da Consolação, numa bifurcação, próximo às confluências das Ruas Minas Gerais, Rebouças, Angélica e Paulista havia um posto de gasolina bem no centro da rua, onde os trilhos dos bondes faziam um pequeno desvio lateral como se fosse uma justaposição no traçado geométrico, deixando estrategicamente dessa maneira, o posto de gasolina bem no meio da rua. Do lado esquerdo, no começo da Avenida doutor Arnaldo, havia um punhado de vagas casinhas todas paralelas, encolhidas no fundo do terreno, com suas janelas pintadas de verde, no antigo Instituto de Infectologia e Isolamento Emilio Ribas.

Do outro lado da Avenida, onde hoje é o velório do cemitério do Araçá, tinha uma enorme porta de madeira, onde uma luz difusa deixava-se filtrar nas ranhuras do lenho o interior daquela casa onde eram realizadas as autópsias do Instituto Médico Legal.

Do lado esquerdo da avenida de quem vai ao sentido do bairro, a velha Faculdade de Medicina de São Paulo com seu exuberante jardim erguia-se soberana no meio do terreno um tanto afastado da rua. Do outro lado, seguiam-se os muros esponjados pintados de branco do cemitério do Araçá. Já no meio da avenida, dispostas em sequência, havia grandes árvores seculares estendendo seus ramos lenhosos para ambos os lados da rua. Ela era estreita, sombria, entre os postes da Light de luz mortiça, sempre encobertas pelos grossos ramos das árvores, deixando filtrar apenas uma pequena nesga de luz difusa, naquele ambiente lúgubre.

Mais à frente, erguia-se a Faculdade de Higiene e Saúde Pública, próximo ao anexo Centro de Tratamento de Hanseníase, onde hoje abriga no seu interior o Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza da Faculdade de Saúde Publica da USP. Naquele tempo, havia um bonde permanentemente estacionado em frente deste Centro de Saúde, sendo ele gerador e transformador de eletricidade para a manutenção da circulação dos coletivos que seguiam para os bairros de Pinheiros, Vila Madalena e Avenida Doutor Arnaldo.

Foi ali, naquele pequeno espaço isolado e deserto, que foi o cenário apavorante entre a rua e o cemitério, que a molecada, em algazarra, resolveu jogar o meu fichário escolar para dentro do muro do cemitério. Ouvi um chocalhar de papéis, pastas e livros se espalhando entre a terra úmida e o negro asfalto de uma das alamedas dentro do cemitério. Não tive dúvidas. Resolvi pular o muro para apanhar o meu material, enquanto a molecada zombava da façanha do outro lado de fora.

Uma vez lá dentro do cemitério, comecei apanhar o meu material que estava todo esparramado pelo chão de terra fofa. De repente, aconteceu o inusitado. Uma chama azulada de mais ou menos cinquenta centímetros de altura estava parada entre um túmulo e outro, no meio da terra, como se estivesse me espreitando. Fiquei gelado de medo. Ao me movimentar em direção ao muro, a chama veio vinda em minha direção e eu, apavorado, parei e fiquei enregelado enquanto ela também parou. Parecia que ela me acompanhava como se fosse uma assombração. Quem sabe não seria alguma luz do outro mundo?

O medo se apoderou de mim. Recolhi rapidamente o meu material e corri para galgar o muro de volta para a rua. Ao pisar no asfalto negro da alameda dentro do cemitério, ela parou de seguir-me. Após um esforço sobre humano, porque as minhas pernas tremiam, consegui galgar o muro e atirar-me lá de cima para o calçamento da rua. A molecada, ao ver-me branco como papel, ficou preocupada e perguntaram-me o que havia acontecido. Depois das explicações e da incredulidade deles, fui embora direto para casa. Confesso que naquela noite não consegui pregar olho.

Seria um fantasma? Uma assombração? Alguma alma penada? Afinal, o que seria de fato aquela chama azulada que caminhava em minha direção? No dia seguinte, ao relatar o fato ao meu professor, ele me tranqüilizou.
- Aquilo que você viu dentro do cemitério não era nenhum fantasma ou chama do outro mundo. Era apenas o Fogo Fátuo, um gás proveniente da decomposição de algum cadáver recém-enterrado que, ao entrar em contato com a atmosfera, se incendiou, produzindo aquela chama azulada.
- E porque ela veio atrás de mim? – perguntei angustiado.
A resposta foi lacônica.
- Conforme você se deslocava, a pequena corrente do ar produzido pelo seu corpo em movimento impulsionava a chama em sua direção. Quando você subiu no asfalto da alameda, ela parou, porque o gás não tinha mais como se expandir e deslocar-se pela terra.

Seriam os fantasmas do cemitério? Alguma alma penada? Uma luz do além? Quem sabe?! Porém, fiquei mais confiante e aliviado com a explicação do meu velho professor de ciência e química, era apenas o fogo fátuo. Ufa! Que alívio!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Francisco Matarazzo, Assis Chateaubriand e Yolanda Penteado

                   Nos anos 20 e 30, os escritores e pintores modernistas haviam sido 'adotados' pela burguesia local, principalmente pelas famílias Prado, Penteado e Freitas Valle. Nessa adoção, pretendiam repetir nas suas mansões o modelo dos salões literários franceses descritos por Marcel Proust. Empenhavam-se numa tarefa civilizadora, numa São Paulo ainda provinciana. Já nos anos 40 a relação entre a produção artística e o mecenato seria bem diferente. A atmosfera dos salões seria deixada de lado em nome da criação de uma série de instituições artísticas bastante internacionalizadas. Esses novos personagens do fomento cultural localizavam-se num pequeno grupo de burgueses, fruto de uma mistura da antiga elite da terra e de uma elite mais recente de origem italiana.Essa camada emergente passava a financiar a cultura em empreendimentos conectados a um movimento de ascensão e de busca de legitimidade. A velha intelectualidade oficial burguesa incorporava uma nova intelectualidade surgida no seio da classe média, especialmente por meio daquela formada na década de 40 pela USP. Esse novo mecenato, diversamente daquele característico dos anos 20 e 30, dirigiu-se para a criação de instituições, alterando as bases dessa atividade e da vida cultural paulistana. As atividades culturais passaram a usufruir, de diversas maneiras, da presença dessas instituições. 
                   Dois empresários paulistas começaram, no pós-guerra, a descobrir os caminhos de um certo mecenato moderno: de um lado, Assis Chateaubriand (1891-1968), empresário ligado às comunicações que se embrenhou pelos trâmites artísticos; do outro, Francisco Matarazzo Sobrinho (1898-1977), o Ciccilo, industrial de ascendência italiana, hoje considerado Presidente Perpétuo da Fundação Bienal. Chateaubriand e Ciccilo acrescentaram aos seus dotes empresariais uma atitude de mecenas que os fez entrar para a história deste país com esta marca. As disputas entre esses dois empresários, afeitos ao mecenato, tornaram-se quase um folclore na cidade de São Paulo. Ambos apareceram como um novo tipo de empresariado que buscava se projetar no mundo econômico através dos empreendimentos culturais de cunho internacional. 
                   Ciccilo Matarazzo era sobrinho do Conde Francisco Matarazzo, italiano que construiu um dos maiores complexos industriais do Brasil. Francisco Matarazzo Sobrinho nasceu em 1898, em São Paulo, na rua Major Quedinho. Estudou no conceituado Instituto de Educação Caetano de Campos, na Praça da República, mas em 1908 foi enviado a Nápoles, acompanhado de um preceptor, a fim de completar o ensino médio. Depois seguiu para Liège, na Bélgica, onde cursou engenharia na universidade local. Viveu na Europa entre os 10 e os 20 anos, recebendo formação humanística dabelle époque. Por conta desses anos vividos na Europa e da forte ascendência italiana, seu sotaque ficaria marcado para o resto da sua vida, com uma mistura de italiano e francês ao falar o português. Nessa época gostava de pinturas, mas seu gosto estava apegado ao estilo acadêmico. 


                                                               Ciccilo Matarazzo

                   O pós-guerra abria caminho para o fortalecimento institucional e a atuação desse novo mecenato cultural e, em 1948, Ciccilo Matarazzo e Franco Zampari fundaram o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). . . No ano seguinte, Ciccilo Matarazzo fundou a Cia. Cinematográfica Vera Cruz, também em parceria com Zampari. Desde o início, a Vera Cruz foi um projeto da burguesia paulista de criação de um cinema de qualidade no país. A dupla de origem italiana sonhava trazer para o ABC paulista a posição ostentada pela carioca Atlântida. Para dar início ao projeto, Ciccilo cedeu parte do terreno de sua granja, em São Bernardo do Campo (hoje Jardim do Mar), para erguer os estúdios da Cia. Cinematográfica, que durou até 1954.
                   A criação do TBC e da Vera Cruz não foi um fenômeno isolado. Pelo contrário, eles inscreveram-se em outras iniciativas que procuravam fazer de São Paulo um pólo cultural, contribuindo para transformar esta capital, no final dos anos 40, num importante centro de produção de cultura.



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 Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, paraibano de Umbuzeiro, agreste do Estado nordestino, nascido em 4 de outubro de 1892, foi, no seu tempo, talvez o homem mais importante do Brasil.
Foi dono dos Diários Associados, um império que chegou a possuir 34 jornais, 36 estações de rádio, 18 emissoras de televisão, 5 revistas e 1 agência de notícias.Implantou a televisão no Brasil, com a inauguração da PRF-4 – TV TUPI de São Paulo, em 18 de setembro de 1950, com a transmissão do primeiro programa, “O Show da Taba”. Foi a quarta emissora a ser implantada no mundo (só havia emissoras nos Estados Unidos, na França e na Inglaterra).
Amante das artes, fundou, em 1947, o MASP – Museu de Arte de São Paulo, que hoje possui o seu nome.
Foi senador da República pela Paraíba e pelo Maranhão, embaixador do Brasil na Inglaterra, nomeado por Juscelino Kubitschek, e membro da Academia Brasileira de Letras. Falava, além de português, inglês, francês e alemão.
Morreu em São Paulo em 4 de abril de 1968.


                                                      Assis Chateaubriand
 Assis Chateaubriand fez muito pela aviação brasileira:
•    Assis Chateaubriand foi, provavelmente, o segundo brasileiro a voar em um avião, em 10 de junho de 1913, quando fez um voo panorâmico sobre a cidade do Recife, em Pernambuco, no Blériot do piloto francês Lucien Deneau.
•    É o civil brasileiro com maior número de horas voadas na história da aviação.
•    Os jornais e as revistas de Assis Chateaubriand foram os primeiros do Brasil, e talvez do mundo, a ter um jornalista especializado em aviação, o cearense Edmar Morel.
•    Organizou e apoiou dezenas de raides aéreos pelo Brasil e pela América do Sul. Em um deles, 60 aviões partiriam do Rio de Janeiro para Porto Seguro, para os festejos do aniversário do descobrimento do Brasil. Só havia um problema: Porto Seguro não possuía aeroporto. Nenhum problema para Chateaubriand, que acionou o residente Getúlio Vargas e, 60 dias depois, o aeroporto da cidade estava pronto e operacional. O raide foi um sucesso.
•    Em 1950, Chateaubriand foi o primeiro brasileiro e um dos primeiros civis do mundo a voar no jato inglês Comet.
•    Foi garoto-propaganda da companhia aérea holandesa KLM.
•    No início da década de 1940, Chateaubriand resolveu que estava na hora de o Brasil formar uma nova geração de pilotos civis, porém não havia aviões para isso. Ele convidou o Ministro da Aeronáutica, Joaquim Pedro Salgado Filho, para a empreitada.
A fórmula de Chateaubriand era simples: pedir doações de aeronaves a magnatas, industriais, banqueiros ou quem quisesse colaborar com a campanha que ele batizou de “Dê Asas à Juventude”, rebatizada em 1949 como “Campanha Nacional de Aviação”. O doador tinha direito de batizar a aeronave doada com o nome que escolhesse, podendo ser o do pai, o da mãe, o se um antepassado, o de um personagem da história, com direito a festa com pompas e circunstâncias e grandes espaços de elogios nos jornais do dia seguinte. Durante uma década, foram doadas cerca de 2.000 aeronaves e criados cerca de 300 aeroclubes.
Era amigo de Carolina Ribeiro, diretora da Escola Caetano de Campos. No dia 21 de outubro de 1944 batiza 5 aviões com nomes ligados à Instituição; entre eles Caetano de Campos dentro do pátio da Escola! Na década de 1960, a diretora do primário Corintha Accioly colabora com Chateaubriand na campanha do ouro para o Brasil.
                                Páteo do Caetano de Campos com 5 aviões

    Jornal Nosso esforço mostrando Chateaubriand e D. Carolina Ribeiro


•    A campanha de aviação foi considerada pelas autoridades como uma grande realização, de indiscutível utilidade, criando uma mentalidade favorável à aviação em todo o Brasil.
•    Durante a campanha, quando já haviam sido doadas 600 aeronaves, a Inglaterra não possuía mais de 500 aviões de treinamento e a Argentina chegou a protestar, alegando que o Brasil estava se preparando para dominar os céus da América do Sul.
•    Em 1940, só existiam no Brasil 465 pilotos civis. Em 1946, já haviam recebido o brevê 5.753 pilotos, dos quais 5.000 aprenderam a voar nos aviões doados pela campanha incentivada por Assis Chateaubriand.
•    Em 1946, segundo dados do Ministério da Aeronáutica, dos 936 aviões de recreio ou treinamento registrados no Brasil, 800 tinham sido doados pela campanha de Chateaubriand.     



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  As primeiras bienais contaram com o esforço de Yolanda Penteado, esposa de Ciccilo na época. D. Yolanda pertencia a uma tradicional família paulista que construiu sua fortuna a partir da cultura do café (Penteado, 1976). Nasceu em 1903, na Fazenda Empyreo, em Leme, interior de São Paulo. Foi criada num ambiente de senhores de escravos e teve, durante sua infância, muitas mães-pretas. Viveu até os sete anos na fazenda e depois mudou-se com a família para São Paulo. Seu pai era amigo de Júlio Mesquita e de Antônio da Silva Telles, pai de Jayme Telles (o 'Rodolfo Valentino') com quem Yolanda viria a se casar mais tarde. Assim como Ciccilo, Yolanda também estudou no Caetano de Campos e, depois, como interna, no Colégio Des Oiseaux, onde só se falava francês. Mais tarde passou a estudar em casa, com professores particulares. 
                                                Yolanda e Santos Dummond   
                
 Sua juventude foi marcada pelo interesse que despertava nas pessoas ao seu redor. Jovem, bonita, culta e alegre, Yolanda colecionava uma legião de fãs, entre eles Júlio Mesquita Filho, Alberto Santos Dumont e, principalmente, Assis Chateaubriand, que a teria pedido em casamento várias vezes. Ela dedica muitas passagens de sua autobiografia a ele, a quem se refere como o melhor amigo que já tivera. No decorrer de sua vida, a roda de amizades de Yolanda Penteado incluiu Getúlio Vargas, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Maria Martins e Gilberto Freyre.
                   Separou-se de Jaime Telles em 1934 e, com 30 anos e sozinha, tornou-se responsável pela Fazenda Empyreo. Por lá passaram alguns dos principais personagens do cenário artístico, intelectual, político e econômico do país. Yolanda Penteado sabia receber e o fazia muitíssimo bem, especialmente em sua fazenda. Durante as primeiras bienais, por exemplo, ela organizou inúmeros jantares para os convidados especiais do evento. A abertura da IV Bienal de São Paulo (1957) deu-se na fazenda de Leme, com os convidados transportados em aviões que pousavam na pista construída nas terras de Yolanda e depois cedida ao poder público municipal. Naquela noite, o principal convidado era o presidente Juscelino Kubitsckek, que jantou e pernoitou no local.


                                                     Yolanda Penteado



Fonte:  de Oliveira , Rita Alves- antropóloga e professora universitária do Senac
            Soares Cardoso, Marcelo- Assis Chateaubriand e a Aviação
            Jornal Nosso esforço- Outubro de 1944



segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Julio Mesquita

Julio Cesar Ferreira de Mesquita nasceu em Campinas a 18/08/1862, filhos de pais portugueses vai aos 3 anos de idade para Portugal, onde inicia seus estudos. Regressando a Campinas onde se forma e depois muda-se para São Paulo onde cursa Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco, terminando em 1883.
Casou-se com Lucila de Cerqueira César, filha do senador José Alves de Cerqueira César, teve 12 filhos.
                                               Júlio Cesar Ferreira de Mesquita
Exerce a carreira de advogado, mas a abandona tomado por uma intensa paixão: o jornalismo e a política. A trajetória política deu início quando foi eleito vereador em Campinas, seguido pelo cargo de secretário do primeiro governo provisório republicano de São Paulo. Foi deputado à Constituinte paulista, senador estadual e deputado federal.
O Jornal "A Província de São Paulo "  de propriedade exclusiva de Francisco Rangel Pestana, era órgão oficial do PRP ( Partido Republicano Paulista).
Rangel Pestana era proprietário com sua esposa do Colégio Pestana, onde Caetano de Campos era professor.
O Em outubro de 1884, Rangel Pestana vendeu metade do jornal à firma Alberto Sales e Cia, tornando a comprá-la em dezembro de 1885. Nova sociedade comanditária foi constituída, e nesse momento Júlio César Ferreira de Mesquita, ingressou no jornal como redator-gerente.
A partir de 1888, Júlio Mesquita passaria a co-diretor do jornal, ao lado de Rangel Pestana.
Tanto Rangel Pestana como Júlio Mesquita ocuparam cargos públicos no governo provisório de Deodoro da Fonseca: Pestana, eleito deputado constituinte, transferiu-se para Petrópolis (RJ), enquanto Mesquita tornou-se secretário de Prudente de Morais e Barros, membro da junta governativa do estado de São Paulo.
Caetano de Campos apresentado a Prudente de Morais faz a Reforma de Ensino e depois é convidado a dirigir a Escola Normal. Cria a Escola Anexa à Escola Normal, onde dois dos filhos de Julio de Mesquita ingressa: um deles é Julio de Mesquita Filho.
Com Julio Mesquita na direção efetiva da Redação -  assumiu o cargo de diretor-gerente em 1888 -, vieram grandes inovações. O jornal, que passou a se chamar "O Estado de S. Paulo  ", na Guerra de Canudos,  enviou um repórter, Euclides da Cunha, para cobrir as lutas no sertão da Bahia.
Em 1900 reivindicava a reforma da Constituição, o saneamento do voto popular, o aperfeiçoamento da instrução pública e da reforma judiciária, a supressão dos impostos de trânsito e a fiscalização tanto da arrecadação como da aplicação da receita estadual.
Em 1914, o jornal O Estado de S.Paulo, diário que desde a sua fundação (1875), tinha a melhoria da instrução pública como uma de suas principais bandeiras, promoveu um inquérito sobre a situação da instrução pública no estado, para o qual convidou dirigentes educacionais, professores e jornalistas, cujas opiniões foram publicadas entre os meses de fevereiro e abril. Este inquérito, que tem sido utilizado como fonte em estudos de história da educação, quer para tratamento do pensamento educacional vigente, quer para a apresentação de diagnósticos dos contemporâneos a respeito da situação do ensino, ainda não foi tratado pela historiografia como um fato histórico para que concorreram determinadas relações sociais e de que decorreram ações para as quais o evento de sua aparição se mostrou decisivo.
Os entrevistados escolhidos por Julio Mesquita para responderem ao inquérito são em número de 14. Por ordem de publicação, responderam ao inquérito Oscar Thompson, Paulo Pestana, Ruy de Paula Souza, João Lourenço Rodrigues, Antonio Rodrigues Alves Pereira, João Chrisóstomo, Arnaldo de Oliveira Barreto, Antônio de Azevedo Antunes, José Ribeiro Escobar , Mariano de Oliveira, Pedro Voss, João Pinto e Silva, Francisco Azzi  e Ramon Roca Dordal.
Como a relação de nomes indica, a ampla maioria dos entrevistados integra um grupo “de elite” que, diplomado pela Escola Normal Caetano de Campos no último decênio da monarquia, ganhou “projeção política e administrativa” nos anos iniciais da primeira década republicana (cf. Monarcha, 1999, p.214). Esta geração de normalistas, cujos mais antigos representantes neste inquérito, Ramon Roca Dordal e Mariano de Oliveira, formou-se em 1888, “destacou-se ao liderar movimentos associativos do magistério, assessorar autoridades educacionais e produzir material didático de divulgação das novas idéias, especialmente no que diz respeito ao ensino da leitura” (cf. Mortatti, 2000, p.78). A maioria dos entrevistados participara do movimento de uniformização do ensino no Estado de São Paulo, desencadeado na gestão de Oscar Thompson na Diretoria Geral da Instrução Pública (1909-1910), como autores de métodos e cartilhas ou na condição de inspetores de ensino e membros de comissões encarregadas de revisão e indicação de livros didáticos e cadernos, mapas e materiais de ensino, adotados nas escolas públicas .
Em 1915, o Estado lançou uma edição vespertina, conhecida como Estadinho, que circulou até 1919. Seu diretor era Julio de Mesquita Filho, que iniciava a carreira de jornalista, enquanto seu irmão, Francisco Mesquita, se dedicava à administração.

No Jornal: Julio Mesquita, à esquerda, primeiro sentado, com a mão no queixo: Olavo Bilac, na fileira de trás, segundo em pé:  Júlio de Mesquita Filho
Em 1927, morreu Júlio Mesquita. A direção de O Estado de São Paulo foi então entregue a Nestor Rangel Pestana e a Júlio de Mesquita Filho. Plínio Barreto assumiu a chefia de redação e Ricardo Figueiredo a gerência. A assembléia geral da sociedade anônima proprietária do jornal passou a ser dirigida por Armando de Sales Oliveira, Carolino da Mota e Silva e Francisco Mesquita.
Referências bibliográficas
ANTUNHA, Heládio César Gonçalves. (1976). A instrução pública no Estado de São Paulo. A reforma de 1920. São Paulo: Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.
Bontempi Jr,Bruno- O INQUÉRITO SOBRE A INSTRUÇÃO PÚBLICA NO JORNAL O ESTADO DE S.PAULO (1914)-Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
CALDEIRA, Jorge. (2002). Julio Mesquita, fundador do jornalismo moderno no Brasil. In: MESQUITA, Julio. A Guerra (1914-1918) por Julio Mesquita. São Paulo: O Estado de S.Paulo: Terceiro Nome, (vol.1), pp.21-33.
CATANI, Denice Bárbara. (1998). Metáforas da iluminação: observações acerca do estudo da história da educação republicana. In: SOUZA, Cynthia Pereira de (org.). História da Educação. Processos, práticas e saberes. São Paulo: Escrituras, pp.43-52.
HILSDORF, Maria Lúcia Spedo. (1999). Francisco Rangel Pestana. In: FÁVERO, Maria de Lourdes Albuquerque & BRITTO, Jader de Medeiros (orgs.). Dicionário de Educadores no Brasil. Da colônia aos dias atuais. Rio de Janeiro: UFRJ/MEC-INEP, pp. 201-211.
LARIZZATTI, Dóris S. de Souza. (1999). “A luz dos olhos de um povo”: os projetos de educação do jornal O Estado de S.Paulo, 1920-1934. Dissertação de Mestrado. São Paulo, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
MONARCHA, Carlos. (1999). A Escola Normal da Praça: o lado noturno das luzes. Campinas: Unicamp.
MORTATTI, Maria do Rosário L. (2000). Os sentidos da alfabetização (São Paulo, 1876-1994). São Paulo: UNESP:
 O ESTADO DE S.PAULO (1914). Inquérito sobre a situação do CONPED.ensino primário em São Paulo e suas necessidades. [de
27/02/1914 a 20/04/1914]
RODRIGUES, João Lourenço. (1930). Um retrospecto: alguns subsídios para a história pragmática do ensino público em São Paulo. São Paulo: Instituto D. Anna Rosa.
SOUZA, Rosa Fátima de. (1998). Templos de civilização: a implantação da Escola Primária Graduada no Estado de São Paulo (1890-1910). São Paulo: UNESP. 

Júlio de Mesquita Filho

Nasceu no dia 14/02/1892.
Cursou o primário na Escola Caetano de Campos, depois viajou para Lisboa onde cursou a Escola Academica e em seguida foi para a escola La Chateleine , em Genebra, que serviria às fuuras idéias sobre Educação e Ensino.
Em 1916 forma-se na Faculdade de Direito de São Paulo.
Em 1926 convida o educador Fernando de Azevedo ( que mais tarde se tornaria o diretor da Escola Normal) para coordenar o “Inquérito sobre a Instrução Pública”através das páginas do “ O Estado de São Paulo”e participa da fundação do Partido Democrático em São Paulo.



Fernando de Azevedo que já tinha dado aulas de latim e psicologia na escola Normal, na época era redator e crítico literário no Jornal.Esse inquérito teve a participação do próprio Fernando de Azevedo,Julio de Mesquita Filho, Cecília Meireles, Lourenço Filho, Sud Menucci,Hermes Lima, Paschoal Leme, Afranio Peixoto e Heitor Lira e acabou culminando no “Manifesto dos Pioneiros”.
Em 1927, após a morte do pai, assume a direção do jornal. Abre espaço para pesquisas e debates sobre Educação e defende a criação de uma universidade em São Paulo.
Em 1932 assina com mais personalidades ligadas à educação o ”Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”
O Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova foi lançado em 1932 num panorama de disputas políticas pelo controle do aparelho escolar, confrontando-se com as concepções de pensamentos pedagógicos humanistas católicos que privilegiavam a forma de uma educação integral do homem, enquanto ser criado por Deus e, por isso mesmo, a educação deveria ter princípios morais e religiosos ligados à tradição cristã. A lógica católica era contrária ao pensamento da modernidade, em que se privilegiava a ciência como promotora de progresso. Nessa posição, encontravam-se os renovadores que eram defensores de uma nova escola, promotora da ciência e da pedagogia moderna sob a égide do ensino público, gratuito, e laico. A idéia de uma escola laica sob controle do Estado defendida pelos Pioneiros da Escola Nova não encontrava respaldo dos católicos, que achavam as idéias totalmente de esquerda.
Os 25 educadores, além de Júlio de Mesquita Filho  que assinam o manifesto ligados de alguma maneira à Escola Caetano de Campos são 6: Fernando de Azevedo, Sampaio Dória, Lourenço Filho, Antonio Ferreira de Almeida Junior, Roldão Lopes de Barros, Noemy da Silveira ( Rudolfer) além de: Afrânio Peixoto, Anísio Teixeira, Roquete Pinto, Frota Pessoa, Raul Briquet, Mario Casasanta, Delgado de Carvalho,  JP. Fontenelle, Hermes Lima, Attilio Vivacqua, Francisco Venâncio Filho, Paulo Maranhão, Cecília Meireles,  Edgar de Mendonça, Armanda Álvaro Alberto,  Garcia de Rezende, Nóbrega da Cunha, Paschoal Lemme e Raul Gomes.

1934-Armando de Salles Oliveira ( nome do Campus da Cidade Universitária) cunhado de Júlio, interventor do Estado, assina o decreto da criação da Universidade de São Paulo  o decreto segue as propostas apresentadas por Júlio de Mesquita Filho e Fernando Azevedo.
Nesta se incorporou o Instituto de Educação ( antiga Escola Normal) agora denominada Instituto de Educação da Universidade de São Paulo transformando a Escola Normal em curso superior , essa transformação perdurou até 1938, depois voltou a ser Escola Normal novamente, dizem que por pressão da igreja católica  oposta às idéias de Fernando de Azevedo e seus colaboradores.
Júlio de Mesquita Filho faleceu no dia 12/02/69, foi um homem que entre muitas coisas, contribuiu para a qualidade e elevação do nível de ensino em nosso país. 

domingo, 15 de janeiro de 2012

Jornais dos alunos de 1967 e 1968

                                                                   Clarim da Classe- 1967







                     D. Edith, D. Carminha assistente de D. Corintha Accioly e D. Corintha( à direita)


                                      1968- O Anônimo- Jornal das Normalistas




No tempo do mimiógrafo...

Juventude rebelde

Em 1968 falava-se ainda da tradição da Escola

Aquí , entre outras coisas, comenta-se quando os militares entraram com cachorros na Escola

Esse René Hubert botou a "boca no trombone", por onde será que anda?


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Jornal Caetano 1959 à 1964

Durante os 83 anos que a Escola permaneceu na Praça, inúmeros jornais feitos por alunos surgiram, vou postar alguns para se ter uma idéia:


                                                           1959- "O Estudante"

                                                                      "Caetano 61"





                                                   "Folha da Caetano"-1962





                                                              "Caetano 64"

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A REVOLTA DA CHIBATA

A Escola Normal e as Escolas de aprendizes marinheiros

 Essa história conta como um grupo de professores de São Paulo, em 1911, vindos da Escola Normal  liderados pelo prof. Arnaldo de Oliveira Barreto, ajudaria a Marinha Brasileira a formar a primeira Escola de Aprendizes Marinheiros e em seguida a criação da primeira Escola de Grumetes da América, na Ilha das Cobras,  Rio de Janeiro. Como trata-se praticamente de um relato histórico quero postá-lo em sua íntegra. Tenho que lembrar que no ano anterior, 1910, houve e Revolta da Chibata, onde os marinheiros revoltados pelo tratamento desumano recebido por seus superiores culminou num dos maiores protestos vistos na cidade do Rio de Janeiro.
O Prof. Arnaldo de Oliveira Barreto, em 1924 tornaria-se o diretor da nossa Escola .
Obs.: No texto abaixo muitas palavras estão sem acento, pois estou publicando o texto original com uma ortografia antiga.


                                                   Professor Arnaldo de Oliveira Barreto

“Quando o Almirante Marques Leão assumiu o cargo de Ministro da Marinha tratou entre outros problemas o da elevação de nível moral dos marinheiros e começou pela Escola de Aprendizes.
É preciso saber que os alunos desta escola eram recrutados entre a ínfima ralé, escória dos subúrbios, crianças que a polícia não sabia onde colocar. Recolhidos assim com estas tristes credenciais ficavam completamente abandonados de qualquer assistência educacional.
A única intervenção que se fazia sentir em sua vida de desherdados da sorte era a chibata. 
E como castigo os revoltasse ao invés de os corrigir os resultados eram sempre mediocres. Pouquíssimos sairam incolumes do complexo amoral. Recebiam palmatoadas com inteira indiferença e até, parece, porfiavam em resistir à dor.
Nessa atitude punham grande mérito. Não choravam!
O sobrecenho pesado pelo ódio latente aos seus superiores, e os ritus de uma vingança sempre em perspectiva, era essa meninada que o almirante Marques Leão quis ajustar aos principios morais.
Acresce que entre a propria oficialidade havia o preconceito contra o marinheiro e persistiamem que ”marinheiro não precisa saber ler”.
Vencendo pois todos esses preconceitos o ministro da Marinha dirigiu-se ao governo de São Paulo ao qual pediu professores. O pedido era algo indefinido pois tinha-se então por certo que para aprendizes de marinheiro só a chibata. Eram indivíduos inadaptaveis ao meio social.
Foi incumbido de organizar o ensino da Marinha o prof. Arnaldo de oliveira Barreto, mestre e educador notavel com larga folha de serviços prestados ao seu proprio Estado. Era como se diria hoje um verdadeiro técnico no assunto.
O prof. Arnaldo para iniciar a grande obra que o almirante Marques Leão queria realisar na Marinha, escolheu um grupo de professores de sua inteira confiança afim de dar um ponto pequeno o arcabouço do que seria seu plano.
Convidou os professores Waldomiro Silveira, Renato Braga, Cimbelino de Freitas e Evonio Marques.
A primeira escola foi instalada num predio velho da ilha das Cobras e como era uma unidade experimental pouca importância se deu. Todavia os mestres que se incumbiram de a organizar, levavam consigo não somente a competencia e certo tirocinio pedagogico, mas um intenso entusiasmo.


                                                     Edificação na Ilha das Cobras

E para orientá-los, o grande espirito de Arnaldo de Oliveira Barreto.Os obstaculos e os trabalhos exaustivos não conseguiram exaurir a força de vontade. Para melhor atacar o problema adotou-se inteiramente a organização do grupo escolar de São Paulo, desde os programas até os processos e metodos de ensino, a assistencia moral.
Em quatro salas daquele velho predio da ilha das Cobras começou a estrutura de uma grande esperança para o proprio país.
Logo se evidenciaram resultados insofismáveis e diante disso resolveu o ministro da Marinha autorizar o prof. Arnaldo a contratar novos mestres paulistas.
A nova turma contou, entre outros, dos professores Possidonio Sales, Wenceslau Arco e Flexa, Armando Madureira, Afonso Porto, Licurgo Pereira Leite, Sud Menucci, Roberto Teixeira Pinto, Raul Felix Meira, Liberalino de Oliveira, Alfredo Ferreira, Jeremias Sandoval, Melchior do Amaral Melo, Henrique Meira, Americo Introini, Phidias Martins Bonilha,etc.
Nos primeiros contactos, alunos e principalmente a oficialidade que, diga-se de passagem não receberam esses educadores de coração aberto. Contribuiu para o ressentimento o prestígio que o almirante Marques Leão lhes deu investindo-os das prerrogativas de oficiais com posto de capitão tenente e determinando mesmo que se fardassem. Desse modo foram vistos até certo ponto como intrusos. Mas aos poucos foram-se deixando vencer pela atitude irrepreensivel dos profesores paulistas, pela sua dedicação ao trabalho e capacidade na execução de um programa de objetivos que se entremostravam, já de alto valor civico e social.
Relata-se o seguinte episódio verificado com o prof. Waldomiro Silveira:
Houve por parte dos alunos atitudes de indisciplina. Como todos esperavam, o professor teria de manda-los para o castigo, isto é submete-los às chibatas de acordo com a extensão da falta. Mas o educador paulista entrou por outro caminho. Fez uma preleção moral. Procurou encontrar o coração daqueles animaizinhos selvagens.
E conseguiu. Ao toque de rancho dado pelo corneteiro a classe ainda estava sendo submetida a pressão moral e sentimental. Os alunos choraram, fato virgem naquele ambiente e que constituiu objeto de atenção do comandante e de outros oficiais, sendo levado ao conhecimento do ministro da Marinha. Este foi à ilha das Cobras e compreendeu que a escola se renovava e que os processos de castigo evoluiram para um sentido humano.
Quando do primeiro exame compareceu o proprio ministro que levou consigo o Presidente da República. O exito foi incontestavel e brilhante. Alem dos elogios do almirante Marques Leão, receberam o professor Arnaldo Barreto e seus auxiliares, elogios do Presidente da Republica em Ordem do Dia.
                                                            Marinheiros em 1910

Com a nova turma de professores foram criadas escolas no molde da ilha das Cobras em todo o litoral do Brasil e, ao que se diz, em numero de 20. As que comportavam 200 alunos na matricula tinham quatro professores e as de 100, dois.
Em todos os logares, pois, em que se colocaram professores de São Paulo nas escolas de aprendizes os resultados foram surpreendentes. E Segundo informações de varios desses professores a oficialidade, a principio desconfiada entrou logo em contacto cordial de onde se originaram solidas amizades.
Com a morte do Almirante Marques Leão foi substitui-lo o almirante Belfort Vieira que proseguiu no mesmo programa prestigiando com entusiasmo o prof. Arnaldo Barreto e seus auxiliares.
Ampliou-se então o ensino criando-se a Escola de Grumetes, curso complementar do que era ministrado pelos professores paulistas e de onde os aprendizes saiam para frequentar, então escolas de carater puramente técnico. Foi a primeira escola de grumetes criada na América. As autoridades da Marinha resolveram fazer a sua instalação no Cruzador “ Andrada”sendo mais tarde transferida para bordo do “Tamandaré”. Pouco depois morre tambem o almirante Belfort Vieira sendo substituido provisoriamente por um general do Exercito até que assumiu a pasta da Marinha o almirante Alexandrino de Alencar. Para as escolas de aprendizes de marinheiros foi um desastre. Aferrado por velhos preconceitos a respeito da condição de marinheiro, desde logo mostrou-se infenso a que se prosseguisse a obra iniciada com tanto exito e que continuava a dar os melhores resultados. Removeu a escola de grumetes para Angra dos Reis, fechou a escola de aprendizes do estado do Rio afim de prejudicar a orientação política do seu adversário Nilo Peçanha, então presidente daquele Estado. Com esse grande obstaculo o prof. Arnaldo de Oliveira Barreto deu por terminada a sua missão e comunicou aos seus auxiliares que cada um tomasse o rumo que lhe conviesse. Nessas condições o quadro de professores da armada não foi criado e grande parte dos professores paulistas se retirou.
Todavia o rastro luminoso de uma inteligente administração ficou na historia da Marinha refletindo-se na do professorado paulista como das mais brilhantes demonstrações. "

                                               Ilha das Cobras- Rio de Janeiro


Fonte: Poliantéia comemorativa dos cem anos da Escola Normal de São Paulo-1946